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sábado, 1 de junho de 2019

A CIVILIZAÇÃO MESOPOTÂMICA


I - A CIVILIZAÇÃO MESOPOTÂMICA

A Mesopotâmia é uma região histórica do Oriente Médio (Ásia), incluída no Iraque  e banhada pelos rios: Tigre e Eufrates. A palavra mesopotâmia, em grego, significa região entre rios. Estendendo-se desde o Deserto da Síria , a N.O,até as margens do Golfo Pérsico, a S.E., compreende duas áreas distintas:
1.   O Planalto ou Alta Mesopotâmia , de constituição geológica complexa, onde predominam formas muito eruditas;
2.   A Planície  ou Baixa Mesopotâmia , de origem rudimentar recente, cheia de lagoas, pântanos  e canais naturais.
Uma elevação de 75 metros de altura, situada nas proximidades da cidade de Bagdá, marca o limite entre ambas.
É exatamente nesse ponto que se aproximam bastante os cursos dos dois famosos rios: o Tigre, que desce das montanhas do Curdistão, e o Eufrates, que procede do Planalto da Anatólia, entrelaçando suas águas através de pântanos , lagos e canais. Afastam-se a seguir, para reencontrarem-se  pouco antes da foz, fundindo-se num só: o Chat-el-Arab (Rio dos Árabes), que se lança no Golfo Pérsico.
Em junho e julho, as águas desses rios avolumam-se, devido à fusão das galerias existentes nas cabeceiras e pelas fortes chuvas que caem nos cursos superiores e transbordam  por sobre a planície, fertilizando-se nas cabeceiras.
Essa rica planície atraiu uma série de povos, que se encontraram  e se misturaram , empreenderam  guerra e dominaram uns aos outros , formando o que denominamos  "civilização mesopotamica". Entre esses povos temos:
1.   Os Sumérios
2.   Os Babilônicos
3.   Os Assírios
4.   Os Caldeus

II – RELAÇÕES SOCIAIS NA MESOPOTÂMIA
A sociedade mesotâmica era dividida em castas. Os sacerdotes, os aristocratas, os militares e os comerciantes formaram castas privilegiada (a minoria). A maioria da população era formada pelos artesões, camponeses e escravos.

III – A RELIGIÃO
Os mesopotâmicos adoravam diversas divindades e acreditavam que elas eram capazes de fazer tanto o bem quanto o mal. Os deuses diferenciavam-se dos homens por serem mais fortes, todo-poderosos e imortais. Cada cidade tinha um deus próprio, e, quando uma alcançava predomínio político sobre as outras, seu deus também se tornava mais cultuado.
No tempo  de Hamurábi, por exemplo, o deus Marduc da Babilônia foi adorado por todo o império.
A divindade feminina mais importante era Ihstar, deusa da natureza e da fecundidade. Os Sumérios consideravam como principal função a desempenhar na vida, o culto a seus deuses e quando interrompiam as orações, deixavam estatuetas de pedra que os representavam  diante dos altares, para rezarem em seu nome.

IV – ORGANIZAÇÃO POLÍTICA
Os pântanos da antiga Suméria (hoje sul do Iraque), foram  o berço  das cidades-estados do mundo. As cidades-estados pertenciam  a um Deus, representado pelo Rei. A autoridade do Rei estendia-se a todas as cidades-estados. Ele era auxiliado por sacerdotes , funcionários e  ministros .
Legislava em nome das divindades, assegurava as práticas religiosas, zelava pela defesa de seus domínios, protegia e regulamentava a economia.
O mais ilustre soberano da Mesopotâmia foi Hamurábi, por volta de 1750 A.C., um Rei Babilônico, que conseguiu conquistar toda a Mesopotâmia . Hamurábi fundou um vasto Império, ao qual impôs a mesma administração e as mesmas leis. Era uma legislação baseada na lei de Talião (Olho por Olho, Dente por Dente, Braço por Braço, etc)
É o famoso código de Hamurábi, o primeiro conjunto e leis escritas da História.

V - A ECONOMIA
A Mesopotâmia manteve sempre permanente contato com os povos vizinhos. Babilônia e Nínive eram ligadas entre si por canais e eram as duas cidades mais importantes. A navegação nos rios Tigre e Eufrates era feita em barcos. As principais atividades econômicas eram a agricultura e o comércio. Os mesopotâmios desenvolveram também a tecelagem, fabricavam armas, jóias e objetos de metal; mantinham escolas profissionais para o aprimoramento de fabricação de armas e cerâmicas.
Os comerciantes andavam em caravanas, levando seus produtos aos países  vizinhos e às regiões mais distantes. Exportavam armas, tecidos de linho, lã e tapetes, além de pedras preciosas e perfumes.
Dessas terras traziam as matérias-primas que faltavam na Mesopotâmia, como o Marfim da Índia, o Cobre de Chipre e a madeira do Líbano.

VI - A CIÊNCIA
Embora a roda do oleiro tivesse sido inventada nos tempos pré-históricos, foram os Sumérios que construíram os primeiros veículos de rodas.
Desenvolvendo os conhecimentos adquiridos pelos Sumérios, os Babilônicos fizeram novas descobertas, como o Calendário e o relógio de Sol.
Os Caldeus, sem dúvida, os mais capazes cientistas de toda a história mesopotâmica, tendo deixado importantes contribuições no campo da astronomia. Os mesopotâmios também conheciam pesos e medidas.
Podemos citar como legado Mesopotâmico:
Devemos aos Mesopotâmicos, vários elementos  de nossa própria civilização, como:
ü  O ano de 12 meses e a semana de 07 dias,
ü  A divisão do dia em 24 horas,
ü  A crença nos horóscopos e os dozes signos do zodíaco,
ü  O habito de fazer o plantio de acordo com as fases da lua,
ü  O círculo de 360 graus,
ü  O processo aritmético da multiplicação.

VII - A ESCRITA
A invenção da escrita é atribuída aos Sumérios.
Eles escreviam na argila mole com o auxílio de pontas de vime. O traço deixado por essas pontas tem a forma de cunha (V), daí o nome de " escrita cuneiforme" .
Com cilindros de barro, os mesopotâmicos faziam seus contratos , enquanto no Egito se usava o papiro.
Em 1986, foi descoberta por arqueólogos, perto de Bagdá, Capital do Iraque, uma das mais antigas bibliotecas do mundo, datada do século X - A.C..
A biblioteca continha cerca de 150.000 tijolos de argila com inscrições sumerianas. A literatura  caracterizava-se pelos poemas religiosos e de aventura.

VIII - A ARQUITETURA
O edifício característico da arquitetura suméria é o zigurate, depois muito copiado pelos povos que se sucederam na região. Era uma construção em forma de torre, composta de sucessivos terraços e encimada por um pequeno templo.
Nas obras arquitetônicas os mesopotâmicos usavam tijolos cozidos (pois a pedra era muito cara) e ladrilhos esmaltados. Preferiam  construir palácios. As habitações de escravos e homens de condições  mais humildes eram às vezes, simples cubos de tijolos crus, revestidos de barro. O telhado era plano e feito com troncos  de palmeira e argila comprimida. As casas simples não tinham janelas e à noite eram iluminadas por lampiões de óleo de gergelim.

IX - A ARTE NA MESOPOTÂMIA – CONCLUSÃO
Para falarmos da arte desta civilização que é um aglomerado de vários povos como os Sumérios, Assírios, Babilônios, Hebreus, Fenícios, Medos, Persas e Hititas, devemos dizer que a Bíblia nos conta dos Tribunais de Justiça entre os Assírios, da Torre de Babel e da faustosa Nínive.
Do cativeiro de 60 anos dos judeus e da conquista de Nabucodonosor. Da sentença de Deus contra a grande prostituta  e das salvas da sua ira, que sete dos seus anjos derramaram sobre as terras do Eufrates. Os profetas Isaías e Jeremias pintaram suas visões terríveis da destruição do mais famoso entre os reinos.
Há pouco mais de um século, toda a ciência Assíria era para nós um livro fechado. Hoje, será possível escrever a história de mais de dois mil anos de Mesopotâmia e pintar os verdadeiros caracteres de seus senhores.
A cólera do Senhor está situada exatamente entre os rios Tigre e Eufrates.
Falar sobre a civilização  nos faz perceber um mistério que envolve todo um povo e uma história.
Esta civilização foi profeticamente condenada a desaparecer. " Ele estenderá a mão contra o Norte e destruirá a Assíria e fará de Nínive uma desolação e a terra árida como um deserto onde tudo se deitará".
A terra entre os dois rios, escondeu durante séculos, palácios, templos e estátuas de reis e deuses. Foi uma civilização rica e cheia de mistérios. Os palácios suspensos , jardins afrodisíacos ornados com tijolos vitrificados e alabastro, leões alados, touros, águia e estatuas gigantescas denominadas de guerreiros de Jeová. Era para nós um livro fechado e a poucos decênios os soberanos assírios nos pareciam lendas e fantasmas.
Somente a Bíblia nos mostrava a verdade desta civilização e não os fatos comprovados que a ciência necessita. Passagens significativas como o Livro dos Mortos, Sodoma e Gomorra, Noé, Moisés, Golias, Guerra de Tróia, a Ilíada e a Odisséia se eram estórias ou lendas, realidade ou fantasia, o que podemos concluir é que nos foi deixado um grande legado em esculturas, escritas, baixo relevo e pintura nas escavações realizadas em 1840.
O povo desta época atingiu um alto nível de desenvolvimento na matemática , astronomia, medicina e nas ciências.
A pintura era subsidiária da escultura e a decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas.
A pintura tinha ausência das três dimensões , onde ignoravam a profundidade.
Nos baixos relevos, o uso de conchas, mosaicos vitrificados e madrepérolas se sobressaiam nas colunas e muros.
Na música encontram-se instrumentos gravados em pedras e do seu sistema musical nada chegou até nós.
Na decoração a pedra era esculpida em frisos com motivos circulares e as combinações decorativas obtidas com suas disposições variadas, descendem dos motivos  antigos e bizantinos. O gesso entalhado e o estuque, cujo emprego foi amplamente utilizado na Pérsia para revestir as paredes.
A madeira era esculpida e com um sistema de marchetaria encontravam-se nsa portas e sarcófagos.
Na cerâmica os jarros de bronze eram criados com relevos ora lavrados, ora rendilhados com frisos e medalhões em azuis-lazurita, verdes-turquesa, ouro, cinábrios, granadas e rubis.
O vidro era esmaltado, moldado e entalhado na cor vermelha e dourado sobre fundo claro.
O bronze  e o cobre e às vezes o ouro eram muito usados nos utensílios ou para simples enfeite para portas.
Na religião os deuses deram destaques

ü  Anou - deus do Céu
ü  Enki – deus da Terra
ü  Nin-ur-sag – deus da Montanha
ü  Assur – deus Supremo

A relação com os deuses era marcada pela total submissão às suas vontades.

X - MÚSICA E DANÇA
A música na Mesopotâmia, principalmente entre os babilônicos, estava ligada à religião.
Quando os fiéis estavam reunidos, cantavam hinos em louvor dos deuses, com acompanhamento de música. Esses hinos começavam muitas vezes, pelas expressões: " Glória, louvor tal deus; quero cantar os louvores de tal deus", seguindo a enumeração de suas qualidades, de socorro que dele pode esperar o fiel.
Nas cerimônias de penitência, os hinos eram de lamentação: "aí de nós", exclamavam eles, relembrando os sofrimentos de tal ou qual deus ou apiedando-se das desditas que desabam sobre a cidade. Instrumentos sem dúvida de sons surdos, acompanhavam essa recitação e no corpo desses salmos, vê-se o texto interromper-se e as onomatopéias  "ua", "ui", "ua", sucederem-se em toda uma linha. A massa dos fiéis devia interromper a recitação e não retomá-la senão quando todos, em coro tivessem gemido bastante.
A procissão, finalmente, muitas vezes acompanhava as cerimônias religiosas e mesmo as cerimônias civis. Sobre um baixo-relevo assírio do British Museum que representa a tomada da cidade de Madaktu em Elam, a população sai da cidade e se apresenta diante do vencedor, precedida de música, enquanto as mulheres do cortejo batem palmas à oriental para compassar a marcha.
O canto também tinha ligações com a magia.
Há cantos a favor ou contra um nascimento feliz, cantos de amor, de ódio, de guerra, cantos de caça, de evocação dos mortos, cantos para favorecer, entre os viajantes, o estado de transe.
A dança, que é o gesto, o ato reforçado, se apóia em magia sobre leis da semelhança. Ela é mímica, aplica-se a todas as coisas:- há danças para fazer chover, para guerra, de caça, de amor etc.
Danças rituais têm sido representadas em monumentos da Ásia Ocidental, Suméria. Em Thecheme-Ali, perto de Teerã; em Tepe-Sialk, perto de Kashan; em Tepe-Mussian, região de Susa, cacos arcaicos reproduzem filas de mulheres nuas, dando-se as mãos, cabelos ao vento, executando uma dança. Em cilindros-sinetes vêem-se danças no curso dos festins sagrados (tumbas reais de Ur).
Em casos de possessão os serviços religiosos contavam com dançarinos, natores e músicos.


BIBLIOGRAFIA – CONSULTADA e CITADA

GEORGES CONTENAU – A Civilização de Assur e Babilônia
p. 108-110 e 204-205

ENCICLOPÉDIA BARSA – v.9 – p. 167-169

SISTEMA BRASILEIRO DE CONSULTA (SIBRAC) – v.4, p.1775

PILETTI, N. & PILETTI, C. – História E Vida - v.3, p. 33-38

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Crise de 1929, queda do índice geral da bolsa de Nova York em 1929. Em 1927, após um período de fortes investimentos no estrangeiro e com uma economia crescente, os financistas norte-americanos que operavam em Wall Street centraram-se no mercado interno. Quanto mais compravam, maior era a subida dos preços, o que atraía mais investimentos. Em 24 de outubro de 1929, conhecido como “quinta-feira negra”, iniciou-se um forte movimento vendedor, que produziu o colapso das cotações na referida bolsa. Embora muitos analistas pensassem, no princípio, que se tratava de um ajuste passageiro do mercado, o crack de Wall Street marcou o início da Grande Depressão, assentando as bases para a criação do New Deal de Franklin D. Roosevelt, em 1933.


A instabilidade do capitalismo

A palavra "crise" sempre traz apreensão. Em 1929, os países capitalistas enfrentaram a maior crise da sua história. A crise de 1929 foi grave tanto pelos problemas sociais que ela causou quanto pela dimensão mundial que assumiu.

Para entender a natureza dessa crise, devemos perceber que a economia industrial capitalista é composta de várias atividades interdependentes.

Quando a economia de um país se encontra num momento de funcionamento normal, as coisas procedem mais ou menos desta forma: os industriais, para produzir, necessitam comprar matéria-prima e máquinas de outros empresários. A produção de uma fábrica estimula a produção de outras. Os empresários pagam salários aos seus empregados. Estes compram alimentos e produtos industrializados. Com isso, o comércio cresce. Outros setores, como o bancário, de transporte, de diversão e de serviços, também são incentivados pelo aumento da produção e do consumo.

Da mesma maneira que há uma interdependência entre as atividades econômicas de um país, ela existe também entre as economias de vários países. Com a expansão do capitalismo industrial, essa interação passou a ser cada vez maior. Os países importam e exportam. Os capitalistas de um país fazem investimentos em outros países.

Nas fases de expansão, o crescimento econômico atinge vários países. Nas fases de crise, isto é, de recessão, os efeitos negativos também se alastram igualmente.

Assim, por exemplo, se um determinado setor da indústria não conseguir vender a sua produção, é muito provável que ele terá de demitir funcionários e deixar de comprar matéria-prima e equipamentos. A crise se alastrará para esses dois outros setores. Novas demissões serão feitas. Sem emprego, os assalariados diminuirão o consumo. Isso levará a crise para as fazendas, fábricas de bens de consumo e para o comércio. Com as atividades produtivas e comerciais em declínio, os bancos, os setores de diversões e de serviços perderão os seus clientes.

0 resultado desse processo de recessão é triste e doloroso. A maior parte da população sente na pele os efeitos do desequilíbrio econômico.

A história do sistema capitalista tem apresentado fases de expansão seguidas de fases de recessão. Isso mostra que ele não é um sistema estável, mas sempre sujeito a crises cíclicas. 0 próprio processo de expansão cria as condições para a crise, e as medidas para solucioná-la criam as condições para uma nova fase de expansão.

O dólar dominou o mundo


Para muitos países da Europa, a Primeira Guerra Mundial significou morte e destruição. Alguns países chegaram a perder 10% da sua população ativa. Muitos tiveram grande parte do seu parque industrial, rodovias e ferrovias destruída. A inflação alcançava índices elevados. 0 cenário era de desolação. Para os governantes desses países, a tarefa prioritária consistia em recuperar a economia.

Se para os europeus a guerra trouxe enormes prejuízos, para os Estados Unidos resultou em progresso. 0 país, que já vinha se consolidando como uma das mais poderosas nações industriais do mundo, aumentaram ainda mais à distância que o separava das demais nações.

Divisão do trabalho na indústria

A divisão do trabalho é um princípio básico da industrialização. Na divisão do trabalho, cada trabalhador é designado a uma tarefa diferente, ou fase, no processo de fabricação, resultando daí um aumento da produção total. Como mostra a ilustração superior, se uma pessoa realizar as cinco fases na fabricação de um produto, poderá produzir uma unidade ao dia. Cinco trabalhadores, cada um especializado em uma das cinco fases, poderão produzir 10 unidades no mesmo tempo.





Os EUA só entraram na guerra quando faltava um ano para que ela terminasse. Tiveram poucas perdas humanas e, além disso, não houve guerra em seu território. Porém, a vantagem maior dos EUA foi ter fornecido matérias-primas, alimentos e armas, momentos para os vencedores impulsionando a sua economia.

Na década de 1920, a economia americana estava em plena expansão. Cidades cresciam por todo o território americano. 0 carro-chefe do crescimento industrial eram as fabrica de automóveis. A Ford e a General Motors fabricavam mais de 1 milhão de carros por ano. Isso estimula o crescimento de siderúrgicas, metalúrgicas, fábricas de pneus, vidros e estofamentos.

0 sistema de linha de montagem multiplicava rapidamente a produção. Nesse sistema, um operário especializava-se em executar apenas uma tarefa. 0 carro resultava, então, do trabalho combinado de centenas de operários.

A produção em massa na indústria americana abrangeu também novos produtos, que, aos poucos, foram ganhando destaque na vida moderna. Na década de 1920, milhões de geladeiras, fogões, rádios e gramofones saíam das linhas de montagem. Esses produtos já existiam anteriormente, mas, com a massificação, ficaram ao alcance das famílias de classe média.

Os produtos industriais americanos eram exportados para a Europa e para o resto do mundo. Ao mesmo tempo, seus produtos culturais conquistavam amplos espaços. A música americana, especialmente o jazz, era admirada por um público cada vez maior. Astros e estrelas do cinema americano, ainda mudo, faziam bater mais rápido o coração dos fãs. As comédias de Carlitos causavam explosões de gargalhadas e, ao mesmo tempo, ajudavam a refletir sobre a sociedade moderna.


Count Basie
Nas décadas de 1930 e 1950, quando as big bands estavam no auge da popularidade, o pianista Count Basie criou um estilo com raízes no blues e no jazz em Nova Orléans. Sua obra One o'clock jump é uma homenagem às longas noites que passava com seu grupo.




As danças americanas, como o charleston, tomavam conta dos salões. Lentamente, o modo americano de vida ia sendo difundido.

Os Estados Unidos, na década de 1920, nadavam num mar de prosperidade. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, na Europa, a reconstrução caminhava a duras penas.

Os europeus necessitavam de dinheiro para recuperar a economia do continente. Uma grande parte dos recursos veio sob a forma de empréstimos dos Estados Unidos. Aumentava, assim, a interdependência entre a economia européia e a americana.

A prosperidade trouxe a crise

A saúde do capitalismo, em nível mundial, dependia da economia dos Estados Unidos. Entretanto, a prosperidade americana apresentava pontos fracos. Um deles era a enorme concentração da renda. Durante a década de 1920, a prosperidade fez os ricos ficar mais ricos e os pobres, mais pobres. A renda se concentrou nas mãos dos grandes industriais, banqueiros e negociantes.

A economia era controlada pelas grandes empresas. Elas elevavam artificialmente os preços e rebaixavam os salários.

Para os capitalistas, isso era bom, mas para a economia isso era ruim, pois a capacidade de consumo da população, e, conseqüentemente, a possibilidade de venda dos empresários, diminuía.

No campo, a situação também não estava boa. A mecanização das fazendas e a ampliação das terras cultivadas provocaram uma superprodução, fazendo o preço dos produtos agrícolas despencar. A cada ano, crescia o número de agricultores endividados junto aos bancos. Esses agricultores passaram a comprar menos produtos industriais.

Apesar dessa gradativa redução interna do consumo, a euforia no mundo dos negócios era imensa, pois as exportações para a Europa e para a América do Sul garantiam a expansão das vendas.

A idéia de fazer fortuna rapidamente passou a ser o principal objetivo de muitos americanos. A Bolsa de Valores parecia ser o caminho mais curto para o enriquecimento.

Normalmente, quando um empresário quer ampliar o seu negócio, ele recorre a um empréstimo bancário ou à venda de ações da sua empresa na Bolsa de Valores. As pessoas compram essas ações porque acreditam que a empresa dará lucro.

E, se isso vier a acontecer, o lucro será dividido proporcionalmente entre os acionistas. Diariamente, as ações são negociadas segundo as expectativas de lucro dos investidores. Se a expectativa é de alta, as ações sobem. Caso contrário, caem.
Contudo, há momentos em que o preço das ações pode subir artificialmente, isto é, acima das possibilidades reais de lucro. Nos últimos anos da década de 1920, era 'isso que estava ocorrendo nos EUA. Alguns empresários, aproveitando-se da euforia econômica e do desejo de lucro imediato, lançavam no mercado um número cada vez maior de ações. Assim, foram construindo um castelo de areia, que só se manteria de pé se o público continuasse a investir em ações e a confiar no mercado.

No verão de 1929, a Bolsa de Nova York operava em ritmo frenético. Embora se percebesse a gravidade da situação, nenhuma atitude era tomada. Essa omissão se explica pelo fato de que, nessa época, nos EUA, predominavam as idéias do liberalismo econômico. Segundo elas, o governo jamais deveria intervir nas atividades econômicas, pois o próprio mercado se encarregaria de encontrar a melhor solução.

A prosperidade norte-americana estava assentada em bases precárias. Um abalo levou-a ao chão.

O dia em que o Bolso quebrou

0 crescimento da economia americana revelou os seus problemas. No segundo semestre de 1929, eles já estavam bastante visíveis. A produção das fábricas já não encontrava compradores com tanta facilidade. A concentração de renda na sociedade americana, entre outros efeitos, diminuía o consumo. As indústrias européias voltavam a produzir num ritmo acelerado. Conseqüentemente, voltaram a fazer concorrência aos produtos americanos. Delineou-se, assim, um processo de superprodução, provocando a queda dos preços e do lucro empresarial.

0 efeito disso sobre as cotações das ações na Bolsa de Valores foi catastrófico. No dia 29 de outubro de 1929, o rosto dos corretores e dos investidores revelava o desespero da situação. Com os lucros em queda livre, a cotação das ações despencou vertiginosamente. Milhões de pessoas, que acalentavam o sonho de se tornar milionárias, ficaram na miséria do dia para a noite. A economia americana entrava em um processo acelerado de desorganização.

Todos passaram a ter medo de investir. Os empresários evitavam até mesmo aplicar mais dinheiro nas suas fábricas. Milhares delas fechara.m as portas e despediram os empregados. 0 desemprego atingiu milhões de trabalhadores e agravou ainda mais a situação das empresas que sobreviveram. 0 mercado se restringiu. Os trabalhadores não tinham dinheiro para comprar mercadorias. A crise atingiu intensamente o comércio e o setor de serviços, se alastrando por toda a economia.

Os agricultores chegaram a queimar a produção, a pois os preços dos produtos a não compensavam o custo do transporte, A falta de abastecimento levou a fome para cidades americanas. As filas para conseguir comida, distribuída gratuitamente pelo governo, tornaram-se comuns nos grandes centros. A economia americana mergulhou na recessão.
A crise se espalhou pelo mundo capitalista

Em virtude da enorme importância da economia americana na economia mundial, a crise logo atingiu outros países. Rapidamente, os empréstimos e investimentos americanos foram retirados do continente europeu. Para a Europa, nada poderia ser pior. Na Áustria, o principal banco faliu. Na Alemanha, o povo, com medo da inflação, correu aos bancos para retirar dinheiro e estocar mercadorias em casa. Isso abalou as finanças e colocou por terra os esforços que vinham sendo feitos para reerguer a economia alemã, tão prejudicada pela Primeira Guerra.

A saída, americano para a crise

A recuperação das economias capitalistas se deu em ritmos diferentes. Até então, as crises do capitalismo tinham sido resolvidas com a conquista de novos mercados em regiões distantes. Entretanto, agora, com o mundo já dividido e com a criação de numerosos países, isso se tornava perigoso. As chances de conflito eram grandes. Assim, a solução teria de vir de uma reorganização econômica interna de cada país.
A recuperação americana é um bom exemplo de como Isso se deu. Com algumas diferenças, as medidas adotadas nesse país foram as mas utilizadas em outras nações capitalistas.
A crise de 1929 teve efeitos de   vazadores sobre a sociedade americana. Quinze milhões de desempregados, fábricas fechadas, agricultores vendo as suas propriedades tomadas pelos banqueiros, greves e revoltas agitando o país. A América estava à beira de uma revolução social. 0 povo culpava o presidente pela crise. Assim, nas eleições de 1932, votou no candidato da oposição, o representante do Partido Democrata, Franklin Roosevelt. Ele prometeu fazer a  economia voltar a crescer. Seu programa ficou conhecido como New Deal. Esse programa implicou uma maior intervenção do Estado na economia. Foram criadas agências governamentais para administrar as inúmeras obras públicas, destinadas a reerguer a economia. Para dar emprego a milhões de desempregados, o governo mandou construir estradas, barragens, usinas hidrelétricas, reflorestar florestas etc. Com isso, esses homens, agora empregados, voltam a consumir. As indústrias, o comércio e os bancos retomaram lentamente suas atividades.

A agricultura foi beneficiada com muitos créditos e energia barata. Além disso, o governo implementou obras em áreas até então inaproveitadas. Com a ampliação do mercado consumidor nas cidades e com a reorganização dos transportes e da economia, os agricultores se sentiram novamente estimulados a plantar. As cidades voltavam a ser abastecidas regularmente.

A situação dos pobres melhorou. Estabeleceu-se o salário desemprego e um salário mínimo para os trabalhadores. Garantiu-se aos operários o direito de ter seus sindicatos e de lutar por melhores salários.

Os resultados dessas medidas foram bastante satisfatórios. Tanto que, em 1936, os indicadores econômicos mostravam que a recessão já tinha passado. A expansão se dava lentamente. De qualquer forma, os tempos de crise profunda tinham ficado para trás. 





IMPÉRIO  BIZANTINO

 
O IMPÉRIO BIZANTINO
Vimos que a crise do século III abalou seriamente as estruturas do Império Romano, promovendo seu inevitável declínio. Todavia, cada uma das partes em que se achava dividido o Império reagiu de maneira diferente ao abalo, em função das características socioeconômicas e políticas predominantes. Dessa forma, enquanto a parte ocidental do Império sucumbiu à onda de invasões germânicas, o lado oriental, cuja capital era Constantinopla, sobreviveu por mais mil anos com o nome de Império Bizantino.
Ao contrário do que se verificava na parte ocidental do Império a partir do século III, o Império Romano do Oriente apresentava uma economia dinâmica, um poder fortemente centralizado nas mãos de um monarca e (tido e cultuado como um deus) um exército organizado. Graças a essas características, a sobrevivência de Constantinopla foi garantida quando ocorreram as invasões germânicas sobre o território imperial.

Império Bizantino

A cidade de Constantinopla, antiga colônia grega de Bizâncio, tornou-se capital do Império Romano, depois de remodelada por Constantino, em 330 d.C. Tendo uma privilegiada localização geográfica - rota de passagem entre Oriente e Ocidente -, desenvolvia intensos contatos comerciais com as regiões próximas, além de próspera atividade agrícola, garantindo-lhe solidez econômica.

Por outro lado, o poder do Estado estava centralizado nas mãos do Imperador, que comandava o exército e a Igreja, sendo considerado um representante de Deus na Terra (teocracia). Além do poderoso exército, o imperador contava com uma eficiente burocracia que fazia suas ordens serem respeitadas, além de cobrar os tributos, em todas as regiões do Império.

O apogeu da civilização bizantina foi verificado durante o reinado de Justiniano

O GOVERNO DE JUSTINIANO (527 - 565)

Justiniano governou Bizâncio entre 527 e 565, período de apogeu, como dissemos, da civilização bizantina. Em seu governo, Justiniano expandiu as fronteiras do Império, retomando, inclusive, diversos territórios conquistados pelos bárbaros no século anterior, como o norte da África, a Península Itálica e o sul da Península Ibérica. Procurava, assim, reconstituir os limites do antigo Império Romano, sonho que não chegou a concretizar.

Justiniano e sua corte

Outra importante realização de Justiniano foi a compilação, sob sua iniciativa, do Direito Romano, numa obra conhecida como Código de Direito Civil (Corpus Juris Civilis) ou Código de Justiniano. A obra se achava dividida nas seguintes partes:

Código: conjunto de leis romanas desde o século II;
Digesto: comentários dos grandes juristas sobre essas leis;
Institutas: princípios fundamentais do Direito romano;
Novelas: novas leis do período de Justiniano.
A legislação romana compilada por Justiniano serviu, durante séculos, de base aos códigos civis. Nela os poderes absolutos do imperador eram garantidos, proteção aos privilégios da Igreja e dos proprietários de terras, além da exclusão da vida política das massas populares. Essa situação, aliada ao excesso de tributação, por vezes, gerou sérias tensões sociais que culminaram em rebeliões como a de Nika, em 532.

No âmbito cultural, Justiniano mandou ainda construir a Igreja de Santa Sofia, uma das maiores expressões da arte bizantina. Vale destacar também que Bizâncio converteu-se, até por acolher artistas e intelectuais romanos fugidos das invasões germânicas, em depositário da cultura clássica greco-romana. Enquanto na Europa Ocidental, a grandiosa produção cultural clássica sucumbia aos invasores bárbaros, no Oriente ela foi cuidadosamente preservada, servindo de inspiração posterior para os artistas e pensadores do Renascimento.
Império Bizantino

DISPUTAS RELIGIOSAS

Desde que Teodósio reconheceu o cristianismo como religião oficial do Império Romano, a parte oriental também se integrou à nova religião. Todavia, no Oriente, o cristianismo adquiriu características próprias, distanciando-se aos poucos do cristianismo predominante na Europa ocidental. Cedo, esse distanciamento provocou dissidências religiosas que ficaram conhecidas como heresias - movimentos que questionavam certos dogmas da Igreja Cristã - como os monofisistas e os iconoclastas.

"Muito mais sério, porém, para os destinos do Império Bizantino e suas relações com o Papado foi o movimento iconoclasta. Este representou a negação da validade dos ícones, imagens pintadas ou esculpidas de Cristo, da Virgem e dos santos. Na verdade, mais do que simples imagens, os ícones são ‘uma revelação da eternidade no tempo’, a comprovação da própria Encarnação, a lembrança de que Deus tinha-se revelado ao homem e por isso é possível representá-lo de forma visível. Em 726, contudo o imperador Leão III, motivado por razões religiosas e políticas, decretou que a adoração de imagens era idolatria e desencadeou por todo o império uma sistemática destruição dos ícones. Por um lado, isso expressava o pensamento de uma corrente que achava incompatível a essência espiritualizada do cristianismo conviver com a materialização de personagens sagradas em pedaços de pano ou madeira.
Por outro, demonstrava um certo descontentamento imperial com o crescente prestígio e riqueza dos mosteiros, principais possuidores e fabricantes de ícones. Esse poder de atração que fazia jovens vestirem o hábito monástico tirava do Estado soldados, marinheiros, camponeses e pagadores de impostos. Assim, a sinceridade das intenções religiosas de Leão III era reforçada pelo interesse imperial em limitar um poder monástico perigosamente crescente. Contudo, a espiritualidade popular, profundamente crente no valor religioso dos ícones e na sua capacidade de realizar milagres, reagiu violentamente à determinação imperial. Quando a imagem de Cristo existente no portão do Palácio Imperial foi destruída, o funcionário encarregado da tarefa foi linchado pela população enfurecida. Mas a iconoclastia podia contar com o exército, em sua maior parte formado por elementos originários da Ásia Menor (como Leão III), onde o rigorismo e o puritanismo religioso eram maiores...”

Império Bizantino

Há que se mencionar também as divergências existentes entre o Imperador e o Papa de Roma, uma ameaça constante aos desejos de poder absoluto do soberano de Bizâncio. Simultaneamente, a constante intervenção do poder temporal do imperador bizantino nos assuntos espirituais (Cesaropapismo), descontentava o pontífice. O aprofundamento dessas divergências provocou, em 1054, o rompimento da unidade cristã, episódio conhecido como Cisma do Oriente, do qual surgiram duas instituições: a Igreja Cristã Ortodoxa Grega, subordinada ao imperador bizantino, e a Igreja Católica Apostólica Romana, dirigida pelo Papa.

O FIM DO IMPÉRIO

Após a morte de Justiniano, o Império Bizantino entrou em franco declínio devido à perda de territórios, motivada pela expansão árabe iniciada nos séculos VII e VIII. A decadência também foi causada pela rivalidade econômica das cidades italianas de Gênova e Veneza que fizeram de Constantinopla um mero entreposto de comércio com o Oriente. Por último, o Império caiu vitimado por um cerco promovido pelos turcos otomanos que tinham Constantinopla como um ponto estratégico de economia e política.

Em 1453, os turcos otomanos tomaram a cidade, depois de muita resistência da população, dificultando, assim, o acesso dos europeus às mercadorias orientais que por ali passavam. Com isso, os europeus foram obrigados a buscar um novo caminho de acesso ao Oriente, gerando o ciclo das Grandes Navegações, marco inaugural da Idade Moderna. Mas essa é outra história.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

COLOMBO, DESCOBRIDOR DA AMÉRICA

            Dos escritos de Cristovão Colombo, Hernán Cortez e Frei Bartolomé de Las casas podemos observar diferentes pensamentos e objetivos dentro do processo de conquista e na montagem da vasta e complicada empresa colonial, tendo este trabalho como objetivo principal a análise de como estes três cronistas/conquistadores perceberam o homem americano através de seus relatos.
         Cristovão Colombo nasceu em 1451 e faleceu em 1506, grande parte dos documentos indicam que o grande navegador era genovês, falava genovês, espanhol e português e transitava o tempo todo de região, se sabe muito pouco sobre Colombo, do que ele escreveu restaram os diários via Las casas e via o filho Fernando Colombo e alguns fragmentos da profecia que ele escreveu, enfim este navegador se trata de uma figura ambígua e contraditória que permite varias interpretações.
        A narrativa mais influente para as navegações de Colombo vem de Marco Polo, Colombo anotou sua edição do livro das maravilhas com abundantes notas às margens, a descrição de riquíssimos reinos como Cipango e Catai faz somarem-se os interesses mercantilistas com os interesses épicos de conquista.
       Ao ler os relatos de Colombo podemos perceber que a América foi inventada antes de ser descoberta, ou seja na verdade Colombo não "descobre" a América e sim ao invés de dar a conhecer, identifica e verifica a América. É curioso notar como Colombo vê muito pouco das coisas que surgem na sua viagem de 1492, sua certeza é alimentada por convicções ligadas a Marco polo, sua narrativa busca apenas aquilo que quer encontrar, não problematiza, não desenvolve possibilidades que fujam a estas estruturas de narração. Seu autoritarismo mistura-se a sua condescendência e nasce de um elemento que seria comum a muitos outros descobridores: identifica o mundo como um, e seus valores passam a ser validos em todo o universo.
       Na verdade Colombo busca o paraíso, ele chega a afirmar que encontrou vários sinais da presença do paraíso, o "paraíso" para Colombo é uma realidade física, ele constrói a realidade que ele quer ,ou seja, ele empreende uma viagem de navegação simplesmente para identificar aquilo que já conhecia de antemão, entretanto quando Colombo chega as Ilhas do Caribe a realidade é outra, por isso Colombo inventa ficcionaliza, encobre e deforma, pois Colombo não abre mão de seu esquema mental.
     Colombo era uma figura mêssianica, que acreditava ser um enviado de deus, ele achava uma missão dada a ele cristianizar os povos, e por ter chegado a "Ásia" era a confirmação de seu papel como enviado de deus .Colombo vê a cultura desses povos como uma folha em branco a qual pode se escrever a evangelização e a escravidão "eles serão bons vassalos", os relatos de Colombo passam a idéia de um povo pacífico"(...) já que os índios não são gente capaz de fazer  alguma coisa, mesmo premeditada(...)".
       A busca por riqueza esta presente desde o começo do relato " E eu estava atento, me esforçando para saber se havia ouro, e vi que alguns traziam um pedacinho pendurado num furo que têm no nariz e, por sinais, consegui entender que indo para o sul ou contornando a ilha naquela direção, encontraria um rei que tinha grandes  taças disso e em vasta quantidade", podemos ver assim a idéia do comercio neste sentido, na cabeça de Colombo ele estava na Ásia ,se ele ainda não encontrou riqueza seria porquê não estava no interior. Os habitantes da América devido ao erro histórico de Colombo são chamados de índios, um termo genérico que opera em um processo que acaba com a diferença
    Um ato fundamental para Colombo foi o de nomear e tomar posse, podemos perceber que Colombo  teve uma verdadeira verocidade em nomear e tomar posse das terras, o nomear era no sentido de apropriar, pois as terras que ele encontrou já estavam nomeadas. Colombo não dialogava com os índios  porquê achava que eles não sabiam falar, pois não tinham escrita, para Colombo a língua era uma referencia direta daquilo que era universal conforme observamos " É verdade que, como essa gente pouco se comunica entre uma ilha e outra, existe alguma diferença entre suas línguas (...)enviá-los aí para Castela só poderia fazer bem, porque se livrariam, de uma vez por todas, desse costume desumano que têm de comer gente, e aí em Castela, entendendo a língua, receberiam bem mais rápido o batismo, com grande proveito para suas almas", ou seja, Colombo recomenda que os índios sejam levados para Europa para aprenderem a falar. Não para aprenderem o espanhol ou latim, mas para aprenderem a falar.
    Hernán Cortez nasceu em Medellín, em 1485,filho de Martins cortez de monroy, que era capitão da infantaria ,sua mãe se chamava Catarina pizarro altamurano, vinda de família tradicional e religiosa, relatos da época mostram que a família de Hernán Cortez era de uma baixa nobreza. Desde pequeno aprende as atividades da nobreza ,cavalgar com precisão e caça esportiva, passando os primeiros 14 anos de sua vida em Medellín saindo rumo a Salamarca somente em 1499 e ao que tudo indica foi estudar direito, tendo assim aprendido o latin, mas permaneceu apenas 2 anos, deixando seus estudos.
    Nas cartas de relatos de Hernán Cortez dão conta da exploração e conquista do Mêxico, que elevou Cortez ao mais alto cargo entre os capitães e políticos de seu tempo, nesses relatos o leitor encontrará tudo que aconteceu desde seu desembarque em Yucatán até a queda de tenochtitlán, a capital Asteca. A segunda carta, uma das mais importantes para conhecer a historia da conquista do Mêxico, foi datada de 30 de outubro de 1520, na qual Cortez justifica sua liderança pelas seguintes palavras "não tenho outro pensamento senão servir a deus e ao rei", podemos perceber que Cortez era um homem de profunda fé e em segundo lugar temos o nome do rei, e a figura do rei não é simplesmente de um líder, mas de uma espécie de deus na terra, principalmente o rei da Espanha que era estandarte da fé católica, Cortez antes de um saqueador era um civilizador, antes de um destruidor era um catequizador.
     Já no inicio da segunda carta é falado em conquista e pacificação "E depois disto só não mandarei informações  por falta de navios e por estar ocupado na pacificação e conquista desta terra, pois é meu desejo que vossa alteza saiba de tudo que aqui esta ocorrendo", Cortez tinha claro em sua mente que sua função era a de conquistar aquele território e pacificar o seu povo, desde os primeiros relatos a importância da dominação política já parece bem clara.
     Cortez chama os índios de súditos e os seus senhores de vassalos de Carlos V, ou seja Cortez estava fazendo uma estrutura de dominação política aos moldes europeu ,assim Cortez via os índios como homens assim como ele era ,e tendo estes aceitado a fé cristã, são tão grande quanto os vassalos europeus(lembrando que vassalo=nobre),podemos notar que Cortez se preocupou em integrar os índios ao seu projeto e a sociedade que estava criando, ainda que fosse uma integração a força.
    Todorov nos mostra que Cortez se preocupava na comunicação, ia atrás de intérpretes, queria entender e se fazer entender "O que Cortez quer, inicialmente, não é tomar, mas compreender, são os signos que interessam a ele em primeiro lugar, não os referentes. Sua expedição começa com uma busca por informação e não por ouro. A primeira ação que executa é(...)procurar um intérprete. Ouve falar de índios que empregam palavras espanholas, deduz que talvez haja Espanhóis  entre eles, suas suposiçoes são confirmadas(...)um deles, Jerônimo de Aquilar se une á tropa de Cortez(...)esse aquilar, transformado em intérprete oficial de Cortez lhe prestara serviços inestimaveis", entretanto Aquilar só falava o Maia, e na busca por intérpretes Cortez encontra "la malinche" que lhe serviu de intérprete durante todo o processo e que também foi sua amante.
    Podemos observar que Cortez venceu os Astecas muito mais pela força das palavras, do que pela força das armas, como por exemplo o apoio dos tarcaltecas e dos cempoal, dai a grande importância de Malinche, que era sua vez para a comunicação com todos.
     O assunto mais estudado da vida de Cortez é a conquista tenochitlán e só se pode entender essa conquista ao se enxergar qual era o projeto que tinha estabelecido e quais as bases ele traçou para atingir esse objetivo, o primeiro ponto interessante é  a chegada de Hernán Cortez á cidade ,o seu espanto com a grandeza e a riqueza, podemos notar varias vezes as palavras" riqueza" e "bonito".
    Como sabemos a vitoria final foi de Cortez, não tanto pela força da espada ,mas pela força da palavra, não eram 500 contra100.000, mas 100.000 aliados a cortez contra os Astecas, que já estavam sem um lider e com revoltas internas causadas pela morte de Montezuma.
    Nos dois ultimos parágrafos da carta de Cortez percebemos a comparação feita a Espanha "Pelo que tenho visto, existe muita similaridade entre esta terra e a Espanha, tanto em sua grandeza, fertilidade e frio, alem de outras coisas", Cortez em todo o decorrer da sua carta faz essas comparações da Espanha com a nova terra encontrada.
    Frei Bartolomé de Las casas é natural de Servilha, nasceu no dia 11 de novembro de 1474 filho de um modesto comerciante chamado Pedro de Las casas e de  Isabel de Sosa. O primeiro contato de Bartolomé com o novo mundo foi através de seu pai, que embarcou na segunda expedição de Cristovão Colombo em 1493 e volta em 1499,trazendo um jovem índio que se torna amigo de Bartolomé e desperta no futuro frei o interesse pelos povos do novo mundo. Em 1522 Pedro de Las casas se alista na expedição de Ovando e leva consigo Bartolomé, que nos dois anos seguintes escreve seu primeiro livro "historia de las índias", onde retrata as ferozes matanças dos índios comandadas por Ovando, e assim por diante escreve varias obras.
    Frei Bartolomé de Las casas, considerado apóstolo dos índios ou "defensor e protetor universal de todos os povos índigenas ", foi um encomiendeiro que durante um sermão se converteu e consagrou sua vida na defesa dos índigenas do novo mundo, o frei constantemente cita que os índios são filhos de deus e tem o direito de serem evangelizados, dizendo que os Espanhóis  nunca tiveram o mínimo cuidado em procurar fazer com que essa gente fossem pregados a fé de Jesus cristo, como se os índios fossem animais e ainda proibiam os religiosos afim de que não pregassem, pois acreditavam que isso os impediriam de adquirir o ouro.
   A "Brevissíma relação de destruição das índias" é seguramente, a obra mais importante de frei Bartolomé, foi lançado em 1552 transformando-se em um best-seller e é um texto onde o autor descreve província por província, as violências realizadas pelos Espanhóis durante a conquista em meio á qual foram mortos perto de 20 milhões de índios, a partir do livro criou-se a chamada "leyenda negra", neste livro las casas chama os conquistadores de "sujos","tiranos crueis", "sangrento destruidores" conforme podemos observar: "os Espanhóis com seus cavalos, suas espadas, suas lanças começaram a praticar crueldades estranhas...Arrancavam os filhos dos seios da mãe e lhes esfregavam a cabeça contra os rochedos....Outros mais furiosos, passavam as mães e os filhos a fio de espada...faziam certas forças baixas, de forma que os pés tocavam quase a terra treza, em honra e reverencia de nosso senhor e de seus 12 apóstolos(como diziam) e, deitando-lhes fogo, queimavam vivos todos". Este é basicamente o contéudo do livro que leva o leitor a criticar a conquista da América e todos os tipos de violência praticados contra o índigena.
   Das obras de Las casas podemos apreciar sua dedicação aos índios, descrevem ainda a excepcional doçura humildade, pobreza, sensibilidade e generosidade dos índigenas e em função destas características buscava na medida do possível uma catequização pacifica e humana dentro do processo de conquista, demonstrando as qualidades humanas e culturais dos índios e as possibilidades pacificas de sua cristianização. O intuito de Las casas era utilizar procedimentos  pacíficos para conseguir a transformação das culturas índigenas, procurando sua ocidentalização, ao menos em alguns aspectos, como as crenças religiosas, sua única concessão para o planejamento dominante da cultura conquistadora era a relativa evangelização daquela nova humanidade e isso não deveria ser entendido como processo de dominação mas como um meio de liberação.
    De 1574 a 1566, Las casas leva adiante sua luta cada vez mais radical, fazendo dezenas de denúncias, protestos, pedidos, exigindo que os índigenas fossem encarados como os verdadeiros proprietários daquela terra, conseguindo na pratica duas importantes vitórias (mas que ele sempre considerou insuficientes): as novas leis de 1492, que praticamente acaba com as encomiendas e as doutrinas jurídicas expostas na Universidade de Salamanca pelo reformador da teologia Francisco de vitória, que lhe garantiu a vitória contra Juan gines de Sepulveda, o qual pregava a "servidão natural" dos índios da América. Las casas morre aos 92 anos, deixando suas obras no colégio de San gregorio, firmado e assinado no testamento escrito em 1564 deixando também uma quantia para ser repartida entre os índios de tepetlaoztoc de um convento do mêxico e de Vera paz.
    Podemos assim analisar grandes diferenças entre Colombo, Cortez e Las casas. Enquanto Colombo não se interessou por conhecer mais a terra conquistada e saber mais sobre a população que vivia lá, optando por inventar e modificar de acordo com seu esquema mental. Hernán Cortez já teve uma visão muito mais avançada do que seus contemporaneos vendo os índios como homens e procurando saber mais sobre eles conforme a citação de Todorov:" A diferença entre Cortez e os que o precederam talvez esteja no fato de ter sido ele o primeiro a possuir uma consciência política e até mesmo histórica de seus atos", dai se explica o fato deste conquistador obter muito mais sucesso no processo de conquista, do que o processo de conquista de Colombo.
     Outro aspecto interessante é a comparação entre as três narrativas, Colombo se destaca pela admiração pela natureza e em rebatizar os lugares encontrados, enquanto Cortez constrói uma narrativa épica parecendo assim um herói, já Las casas denuncia o sistema das encomiendas, a exploração e o massacre espanhol sobre os índigenas.
      Uma coisa em comum nos três cronistas é a busca pela catequização dos povos dominados, apesar de grau diferente de interesse, podemos perceber que os projetos de Las casa eram éticos e estavam fora do tempo com suas concepções de liberdade, autodeterminação e relativismo cultural, enquanto para Colombo e Cortez o significado da colonização seria muito mais um meio para realizar os mandamentos da escritura na qual pregava que todos os povos da América precisava ouvir o evangelho, e isso deveria ocorrer mesmo que fosse necessário usar a violência. O intuito de Las casas era utilizar procedimentos pacíficos para conseguir a transformação das culturas índigenas. Percebemos que Las casas quer deixar de mostrar os índios como ser inferior ou irracional como eram tachados, e sim mostrar seu potencial através da riqueza dos seus mitos, sua arte e literatura e tantos outros componentes de sua cultura.
       Como vimos estes três cronistas escreveram obras importantes que contam a história da colonização espanhola, em três visões diferentes. Os estilos de exposição escolhidos pelos autores dizem muito sobre seu objetivo, como por exemplo o titulo da obra de Las casas " O paraíso destruído", essa proposição empregada fomenta a idéia de que os índios mexicanos seriam vitimas da conquista espanhola, nos mostrando assim que o autor trabalha com a visão dos dominados, enquanto Colombo e Cortez exalta a conquista por trabalhar com a visão dos dominantes.
    Quanto aos estilos em si, nos escritos de Colombo, Cortez  e Las casas, percebemos a existência de dois tipos básicos de narração (entendida  como uma série de acontecimentos articulados cronologicamente dentro de um trama principal) e a análise(ou seja uma exposição que procura explicar os mecanismos de inter-relação dos fenômenos), diferentemente dosados em cada um deles.